Biotecnologia: saiba a importância e como impacta a agricultura
Na agricultura, a biotecnologia tem ajudado a melhorar a qualidade das plantas e aumentar a produtividade agrícola de maneira sustentável.
Neste artigo vamos explicar o que é biotecnologia, como ela impacta a agricultura e mostrar seus principais avanços.
Confira a seguir!
O que é biotecnologia? Para que serve?
A biotecnologia consiste na união da biologia com a tecnologia. Na agricultura, ela está associada a um conjunto de técnicas que utilizam organismos para o desenvolvimento de produtos e processos importantes para a atividade agrícola.
Na prática, a biotecnologia possibilita a criação de soluções sustentáveis para resolver diversos problemas da produção agrícola e desafios alimentares atuais e de futuras gerações.
Uma das grandes contribuições da biotecnologia para agricultura foi o desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas, conhecidas como plantas transgênicas, em sua grande maioria resistentes a insetos-praga e tolerantes a herbicidas.
Estudiosos descobriram que era possível alterar o DNA das plantas e acelerar a produção, reduzindo assim o tempo para a obtenção de variedades de culturas específicas e uma série de outras opções.
Como surgiu a biotecnologia na agricultura?
A história da biotecnologia na agricultura iniciou-se em 1983, quando ocorreu o desenvolvimento da primeira planta transgênica.
A partir de então, os pesquisadores revolucionaram o melhoramento genético de plantas, onde o principal intuito era transferir e incorporar novos genes para aumentar as possibilidades de criação de novas variedades.
Em 1985 aconteceu a primeira modificação genética de plantas com características específicas para o agronegócio, ou seja, com resistência a insetos, vírus e bactérias. Logo, foi possível testá-las no campo.
Esse experimento deu abertura para o desenvolvimento de diversos outros estudos na área, permitindo assim, a criação de plantas com novas características.
Como funciona a biotecnologia na agricultura?
A biotecnologia na agricultura usa técnicas avançadas como engenharia genética (OGMs),genômica e marcadores moleculares para:
- Criar plantas mais resistentes a pragas, doenças e estresse (seca/frio);
- Melhorar o valor nutricional e a produtividade;
- Reduzir agroquímicos e desenvolver biofertilizantes;
- Transformar a produção de alimentos de forma mais sustentável e eficiente.
Principais aplicações
Melhoramento Genético (OGMs/Transgênicos)
Resistência a insetos: introdução de genes (como o da bactéria Bacillus thuringiensis – Bt) para que as plantas produzam suas próprias toxinas contra pragas, diminuindo o uso de pesticidas (ex: milho Bt).
Tolerância a herbicidas: culturas que sobrevivem a herbicidas específicos, facilitando o controle de plantas daninhas sem prejudicar a lavoura.
Resistência a doenças: criação de variedades imunes ou mais resistentes a vírus, fungos e bactérias.
Genômica e Marcadores Moleculares
- Estudo do DNA para identificar genes de características desejáveis (produtividade, nutrição, adaptação).
- Uso de marcadores moleculares acelera a seleção de plantas com as características desejadas, sem esperar o ciclo completo da planta, tornando o melhoramento mais rápido e preciso.
Biofertilizantes e Biopesticidas
- Desenvolvimento de microrganismos benéficos que melhoram a saúde do solo e a absorção de nutrientes, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos.
Melhoria Nutricional e Qualidade
- Criação de alimentos com mais vitaminas, antioxidantes (licopeno, flavonoides) e melhor sabor/textura, agregando valor nutricional (ex: arroz dourado, rico em vitamina A).
Adaptação e Sustentabilidade
- Plantas mais tolerantes a condições adversas (salinidade, seca, frio).
- Facilita o plantio direto, sistema que preserva o solo e a umidade.
Biocombustíveis
- Desenvolvimento de culturas (como cana-de-açúcar e milho) mais eficientes para produzir biocombustíveis de segunda geração (etanol de celulose).
Produção de Mudas Livres de Vírus
- Uso de cultura de tecidos (in vitro) para eliminar vírus de mudas, garantindo plantas sadias e de alto potencial produtivo.
Qual a importância da biotecnologia para agricultura?
A princípio, a biotecnologia é importante para agricultura porque tem ajudado a melhorar a qualidade das plantas e aumentar a produtividade agrícola de maneira sustentável. Como resultado, contribui para a produção de alimentos de valor nutritivo, por meio de espécies mais adaptadas às condições climáticas adversas e resistentes a pragas, doenças e pesticidas.
Além disso, com o uso da biotecnologia é possível reduzir custos e perdas pós-colheitas por meio da produção de variedades que amadurecem mais lentamente que as convencionais.
No mais, ao ajudar a aumentar a produtividade agrícola, essa ferramenta colabora para redução do desmatamento de áreas naturais e, consequentemente, para preservação da biodiversidade nesses locais.
Vantagens
Aumento da Produtividade: plantas mais eficientes e resistentes, produzindo mais por hectare.
Redução de Insumos: diminuição no uso de agrotóxicos, fertilizantes e água.
Controle de Pragas e Doenças: desenvolvimento de culturas naturalmente mais resistentes.
Sustentabilidade: conservação de solo e água e redução do desmatamento.
Qualidade e valor: animais com melhor ganho de peso e qualidade da carne; otimização de recursos e lucratividade.
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Quais são os avanços da biotecnologia na agricultura?
Confira a seguir os principais avanços da biotecnologia na produção agrícola!
Agro-vacinas
Com a descoberta de novas vacinas, que utilizam inovações por meio de culturas geneticamente modificadas, a biotecnologia está mudando os processos de prevenção de doenças.
Dessa forma, grãos, frutas e vegetais são projetados com o intuito de transportar proteínas antigênicas extraídas de patógenos. Assim, ao entrar em contato com o corpo, os antígenos levam a uma resposta imunológica. Como resultado, ocorre o aumento da resistência do corpo contra os patógenos.
Alimentos transgênicos e funcionais
A produção de alimentos geneticamente modificados para auxiliar no combate à doença e à fome foi outro avanço da biotecnologia. Como exemplo, temos o arroz dourado (Golden Rice),que contém betacaroteno, carotenoide que no corpo humano é uma importante fonte de vitamina A.
O nome desse arroz é originado da cor do grão transgênico composto por três genes: dois de uma planta (Narcissus pseudonarcissus) e um de uma bactéria (Erwinia uredovora). Esses genes são clonados para criar o arroz “dourado”.
Contudo, ele é um complemento para alimentação, já que possui vitaminas e outros compostos nutritivos que não podem ser obtidos em outros alimentos.
Resistência aos defensivos agrícolas
A biotecnologia na agricultura viabilizou a resistência aos defensivos agrícolas e permitiu que os produtores se livrassem das plantas daninhas, sem prejudicar a colheita.
Como exemplo temos a tecnologia Roundup-Ready trazida pela Monsanto, que ao ser introduzida pela primeira vez em grãos de soja geneticamente modificados, tornou-os resistentes ao herbicida glifosato.
Culturas resistentes às pragas
Foram criadas culturas resistentes às pragas, por meio da aplicação da proteína Bt (Bacillus thuringiensis). Entre as culturas que se beneficiam desse processo podemos citar:
- Soja;
- Milho;
- Algodão;
- Cana.
Vale destacar que essa proteína tóxica só é prejudicial às pragas, mas é segura para o meio ambiente e humanos.
Culturas resistentes às condições adversas
Outro grande avanço da biotecnologia foi a descoberta sobre as modificações nas plantações para que elas suportem condições adversas como frio, salinidade e seca.
Uma das técnicas utilizadas consiste na adaptação e a dessensibilização adotadas para proporcionar forte resistência à seca nas plantas. Como resultado, houve a possibilidade de aumentar a produção de alimentos, uma vez que as plantas são capazes de se adaptar a climas hostis e às terras não cultiváveis.
Quais os benefícios da biotecnologia para a produção de alimentos?
A biotecnologia pode beneficiar a agricultura de diversas formas. Entenda!
Sustentabilidade: a aplicação de compostos fertilizantes com riqueza de bactérias, macronutrientes e micronutrientes ajudam a gerar melhores resultados nas culturas.
Sementes transgênicas: possuem um maior enraizamento e produtividade, fazendo com que a cultura tenha um maior desenvolvimento vegetal do seu sistema radicular.
Plantas Bt: contém proteínas que são tóxicas para determinados insetos e pragas, porém não são tóxicas para animais e seres humanos. Dessa forma, é possível combater a infestação nas lavouras de forma segura.
Plantas geneticamente modificadas: são capazes de enfrentar estresses abióticos, ou seja, seca, temperaturas elevadas, salinidade, entre outros.
Futuro da biotecnologia na agricultura
Na prática, os estudos na área continuam sendo realizados. Portanto, o que podemos esperar é que os cientistas avancem cada vez mais nas pesquisas para que haja um aumento do número de espécies que podem ser modificadas a fim de trazer mais eficácia e variedade para a agricultura.
No mais, os avanços também devem abranger uma maior resistência das plantas às pragas e doenças, diminuindo assim, prejuízos nas lavouras.
Principais tendências
Edição Genômica (CRISPR): permitirá melhorias genéticas precisas, desenvolvendo culturas com resistência superior a estresses (seca, pragas) e maior valor nutricional, sem necessariamente introduzir DNA de outras espécies.
Inteligência Artificial (IA) e Big Data: a IA analisará grandes volumes de dados genéticos e de campo, otimizando o desenvolvimento de novas variedades e auxiliando agricultores a tomar decisões precisas (agricultura de precisão).
Bioinsumos: crescimento de biofertilizantes e biopesticidas, que usam microrganismos e substâncias naturais para proteger as plantas e melhorar o solo, reduzindo a dependência de químicos.
Microbioma do solo: foco na saúde do solo, utilizando microrganismos para melhorar a absorção de nutrientes e a resiliência das plantas.
Agricultura Regenerativa: integração de biotecnologias para restaurar a saúde dos ecossistemas agrícolas.
RNA de Interferência (RNAi): tecnologia que silencia genes específicos em pragas e patógenos, oferecendo controle biológico direcionado e menos impacto ambiental.
Nanotecnologia: uso de nanoestruturas para encapsular defensivos, melhorar sua entrega e desenvolver biossensores para monitoramento.
Enfim, gostou desse conteúdo? Então, aproveite e leia nosso artigo sobre melhoramento genético.



