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Doenças da soja: como identificar e controlar

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As doenças da soja estão entre os principais desafios enfrentados pelos produtores durante o ciclo da cultura. Causadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides, elas podem comprometer o desenvolvimento das plantas, reduzir a produtividade e gerar prejuízos para a lavoura.

Por isso, conhecer os principais problemas que afetam a cultura, saber identificar os sintomas e adotar estratégias adequadas de manejo são medidas essenciais para proteger a produção.

Neste artigo, entenda quais são as principais doenças da soja e como prevenir e controlar seus impactos na lavoura.

Acompanhe a seguir!

Quais são as principais doenças da soja?

As doenças da soja afetam diretamente o rendimento e a qualidade dos grãos. Sendo assim, a identificação precoce é essencial para adotar medidas eficientes de controle e manejo integrado.

De modo geral, as principais doenças que afetam o desenvolvimento da soja são:

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Ferrugem asiática

Sintomas da ferrugem asiática. Fonte: Embrapa.

A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é a doença mais severa da cultura da soja. Na prática, ela compromete a capacidade fotossintética da planta e pode provocar perdas de até 90% na produtividade se não for controlada adequadamente.

Entre os principais sintomas dessa doença estão:

Lesões foliares: surgem pequenos pontos escuros (de verde-cinza a castanho-avermelhado) na face inferior da folha (abaxial).

Urédias (pústulas): na parte inferior das folhas, formam-se pequenas estruturas salientes que rompem a epiderme e liberam esporos (urredósporos) de cor bege ou castanha.

Amarelecimento e desfolha precoce: conforme a infecção avança, as folhas amarelam e caem rapidamente. Isso impede o enchimento adequado dos grãos e reduz significativamente o peso de mil grãos (PMG).

Estratégias de Controle

O controle eficiente da ferrugem asiática exige a combinação de práticas culturais, genéticas e químicas para evitar perdas severas de produtividade.

Vazio sanitário: período sem plantas de soja viva na lavoura para interromper o ciclo do fungo.

Calendarização da semeadura: plantio concentrado no início da janela recomendada, priorizando cultivares precoces para escapar da maior pressão da doença.

Eliminação de plantas tiguaras: retirada de plantas voluntárias de soja na entressafra para eliminar fontes de inóculo.

Rotação de culturas: alternância com espécies não hospedeiras para diminuir a incidência do patógeno no solo e na área.

Aplicações preventivas: monitoramento constante do terço inferior e médio das folhas para iniciar o controle químico antes dos danos severos.

Misturas de fungicidas: associação de fungicidas sítio-específicos (como estrobilurinas, triazóis e carboxamidas) com fungicidas multissítios para prevenir a resistência do fungo.

Mancha Parda

Planta com sintomas da Mancha Parda. Fonte: Embrapa.

A mancha-parda (Septoria glycines) é uma das principais Doenças de Final de Ciclo (DFC) da soja. No entanto, apesar do nome, os primeiros sintomas podem aparecer logo no início do desenvolvimento da lavoura, permanecendo em silêncio até a fase de enchimento de grãos.

Diante disso, os principais sintomas são:

Lesões nas folhas inferiores: começa nas folhas do baixo do dossel com pequenas pontuações castanho-escuras ou pardas, frequentemente com contornos angulares (limitadas pelas nervuras) e um halo amarelo ao redor.

Evolução e coalescência: com o tempo, as manchas aumentam e se unem, formando grandes áreas necróticas que fazem a folha secar, amarelar e cair.

Ataque em outros órgãos: pode atingir hastes, pecíolos e vagens, apresentando pequenas manchas escuras e irregulares.

Controle e Manejo

Tratamento de sementes: uso de fungicidas sistêmicos e de contato no tratamento de sementes para evitar a introdução do patógeno na área.

Rotação de culturas: prática fundamental para reduzir o inóculo presente na palhada da safra anterior. Evitar o cultivo sucessivo de soja sobre soja.

Uso de sementes sadias e certificadas: garante o estabelecimento de um estande livre de contaminação inicial.

Manejo químico: aplicações preventivas de fungicidas (combinação de triazóis, estrobilurinas ou carboxamidas com o reforço indispensável de fungicidas multissítios) no início do fechamento do dossel e durante o florescimento/enchimento de grãos.

Antracnose

A Antracnose ataca hastes, folhas e principalmente as vagens. Fonte: Embrapa.

A antracnose, causada principalmente pelo fungo Colletotrichum truncatum, é uma das doenças mais importantes da fase reprodutiva da soja. Ela ataca hastes, pecíolos, folhas e, principalmente, as vagens, podendo provocar a perda total das estruturas reprodutivas em safras com alta umidade.

Nesse sentido, os principais sintomas e danos são:

Fase vegetativa (plântulas): pode causar tombamento pré ou pós-emergência, além de lesões escuras e profundas nos cotilédones e no hipocótilo.

Hastes e pecíolos: aparecem manchas estriadas, escuras e deprimidas. Em ataques severos, pode ocorrer a torção dos pecíolos e a retenção foliar com necrose das nervuras.

Vagens e grãos: é onde a doença causa o maior impacto econômico. Surgem manchas castanho-escuras a negras, deprimidas e deformadas. O fungo invade a vagem, provocando o abortamento de flores e vagens jovens ou a infecção direta dos grãos (que ficam apodrecidos, chocos ou manchados).

Pontuações pretas (acérvulos): sob alta umidade, é comum notar pequenos pontos pretos salientes sobre as lesões nas vagens e hastes, acompanhados por uma massa de esporos rosada ou alaranjada.

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Estratégias de Manejo e Controle

Tratamento de sementes: prática fundamental para eliminar o inóculo primário trazido pela semente e garantir o estabelecimento de um estande saudável.

Rotação de culturas: alternar a área com gramíneas ou espécies não hospedeiras para reduzir a sobrevivência do patógeno na palhada.

Uso de sementes certificadas: utilizar sementes de alta qualidade fisiológica e sanitária, livres do patógeno.

População e espaçamento de plantas: evitar populações excessivamente densas para melhorar o arejamento e a penetração de luz no interior do dossel da lavoura.

Manejo químico preventivo: aplicação de fungicidas sistêmicos (como triazóis, estrobilurinas e carboxamidas) associados a fungicidas multissítios. O momento crítico de proteção vai do final do vegetativo até a fase de enchimento de vagens (R1 a R5).

Mancha-alvo

A Mancha-alvo é caracterizada por círculos concêntricos que lembram um alvo. Fonte: Embrapa.

A mancha-alvo (Corynespora cassiicola) é uma doença fúngica que vem ganhando grande relevância nas lavouras de soja. Ela ataca preferencialmente as folhas, causando desfolha precoce do terço inferior e médio da planta, o que reduz o enchimento de grãos e o rendimento final.

Entre os principais sintomas que podem ser notados nas plantas estão:

Manchas circulares com halos: começa como pequenos pontos pardos com halo amarelado nas folhas. Conforme evolui, as manchas crescem em círculos concêntricos e adquirem cor castanho-clara a castanho-escura, lembrando a figura de um alvo.

Ponto central escuro: no centro da lesão é comum observar uma pequena pontuação mais escura.

Desfolha precoce: em cultivares suscetíveis ou sob alta pressão, as lesões se unem, amarelando a folha inteira e provocando a queda antecipada, iniciando pelas folhas mais velhas.

Hastes e vagens: em infecções severas, pode causar pequenas manchas alongadas e escuras nos pecíolos, hastes e vagens.

Manejo Integrado

Uso de cultivares resistentes: a escolha de genótipos com bom nível de resistência ou tolerância é a medida mais eficiente e sustentável.

Tratamento de sementes: elimina o inóculo primário trazido na semente, garantindo o bom estabelecimento inicial da lavoura.

Rotação de culturas com gramíneas: o uso de milho, braquiária ou sorgo ajuda a reduzir a quantidade de fungo na palhada da área.

Manejo de plantas daninhas e tiguera: eliminar hospedeiras alternativas no período de entressafra para quebrar a ponte verde.

Controle químico consciente:

  • As aplicações de fungicidas devem ser iniciadas preventivamente no fechamento do dossel.
  • Utilizar misturas de princípios ativos (carboxamidas, triazóis, estrobilurinas) sempre associadas a fungicidas multissítios.
  • Como a Corynespora cassiicola apresenta histórico de perda de sensibilidade a alguns ativos, a rotação de ingredientes ativos é fundamental para evitar falhas de controle.

Mofo-branco

Doenças da soja: como identificar e controlar
O Mofo-Branco ataca principalmente a parte aérea das plantas. Fonte: Embrapa.

O mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, é uma das doenças mais complexas e destrutivas da cultura da soja. Afinal, ele ataca principalmente a parte aérea das plantas e pode reduzir a produtividade da lavoura em até 70% em cenários de alta infestação.

Para identificar o mofo-branco é importante ficar atento aos sintomas:

Lesões encharcadas: a infecção costuma iniciar nas flores e nós das hastes, onde aparecem manchas de aspecto aquoso.

Micélio branco (“algodão”): sob condições de umidade, desenvolve-se sobre as partes infectadas uma massa de micélio denso, branco e com textura algodoada.

Escleródios: com o avanço da infecção, o fungo produz pequenas estruturas enrijecidas e escuras (semelhantes a fezes de rato) na superfície e no interior das hastes e vagens.

Seca e tombamento: a circulação de seiva é bloqueada na área afetada, fazendo com que as folhas acima da lesão murchem, sequem e fiquem retidas na planta, podendo ocorrer o tombamento das hastes.

Estratégias de Manejo Integrado (MIP)

Não existe uma solução única para erradicar o mofo-branco. Portanto, a prevenção e a integração de métodos são essenciais.

Palhada e Plantio Direto: manter uma boa cobertura de palhada no solo (especialmente de gramíneas como a Brachiaria) cria uma barreira física que impede a liberação e projeção dos esporos dos apotécios até o dossel da planta.

Uso de controle biológico: a aplicação de agentes biocontroladores, como fungos do gênero Trichoderma, atua hiperparasitando os escleródios no solo e reduzindo significativamente a carga de inóculo antes da safra.

Arranjo espacial e aeração: utilizar maior espaçamento entre linhas e cultivares com porte ereto e menor densidade foliar. Isso melhora a ventilação no dossel, reduz o microclima úmido e facilita a penetração dos produtos de controle.

Limpeza de máquinas e equipamentos: higienizar colheitadeiras e implementos agrícolas antes de transitar entre talhões para evitar o transporte acidental de escleródios para áreas isentas.

Manejo químico preventivo: aplicação de fungicidas específicos no início do florescimento (R1/R2),momento em que as pétalas vulneráveis começam a se formar.

Oídio

Doenças da soja: como identificar e controlar
O Oídio é conhecido por sua aparência de eflorescência esbranquiçada nas folhas. Fonte: Embrapa.

O oídio na soja, provocado pelo fungo Erysiphe diffusa (sinônimo Microsphaera diffusa),é uma doença fúngica bastante conhecida por sua aparência característica de eflorescência esbranquiçada nas folhas.

Embora seja fácil de identificar, pode provocar perdas significativas de rendimento (de 10% a mais de 30%) em cultivares suscetíveis ou quando ocorre logo no início do ciclo reprodutivo.

Os principais sintomas do Oídio são:

Massa esbranquiçada/acinzentada: o sintoma mais visível é a formação de uma fina camada pulverulenta (parecida com pó ou feno/farinha) sobre a superfície das folhas, especialmente na face superior (adaxial).

Evolução das lesões: conforme a infecção progride, a cobertura branca pode ocupar quase toda a folha. O tecido foliar afetado amarela, seca e pode apresentar necroses arroxeadas ou castanhas.

Ataque em outros órgãos: além das folhas, o fungo pode cobrir pecíolos, hastes e vagens em casos de alta severidade.

Redução fotossintética: a camada fúngica impede a passagem de luz e acelera a senescência das folhas, prejudicando diretamente o enchimento de grãos.

Estratégias de Manejo Integrado

Cultivares resistentes: a utilização de variedades com genes de resistência é o método mais eficiente e econômico de controle.

Manejo químico: fungicidas do grupo dos triazóis (IDM) costumam apresentar excelente eficiência curativa e preventiva contra o oídio. Aplicações com misturas de triazóis e estrobilurinas ou carboxamidas, acompanhadas de multissítios, garantem amplo espectro e previnem a resistência.

Época de semeadura: evitar semeaduras muito tardias em regiões propensas ao clima frio/seco no final do ciclo, período em que a pressão da doença tende a aumentar.

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Publicado por:
Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atua como Analista de Conteúdo no MyFarm. 
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