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O uso de microrganismos que favoreçam as plantas, torna a agricultura mais sustentável.

A inoculação é uma técnica que tem essa finalidade, sendo de grande importância nas áreas agrícolas.

Seu uso gera grandes economias de adubação mineral a ser realizada e consequentemente reduz o custo de produção por ser um produto mais barato que os adubos minerais.

Você sabe o que a inoculação fornece para a planta? Você sabe quais microrganismos são utilizados hoje?

Pensando nas dúvidas a respeito deste tema, separamos algumas informações para você. Venha conferir!

Inoculação na agricultura

Microrganismos que beneficiam as plantas fornecendo nutrientes, ajudando na tolerância de fatores climáticos adversos, auxiliando no metabolismo, entre outros, são excelentes aliados dos produtores.

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Fornecer estes microrganismos nas plantas, seja via semente, via solo ou via foliar, é denominado inoculação.

A inoculação de microrganismos nada mais é do que introduzir uma bactéria ou fungo, que melhore o desempenho das plantas em campo.

Na agricultura a inoculação mais conhecida é a de sementes de soja, sendo uma técnica utilizada há muito tempo pelos produtores desta oleaginosa.

A inoculação das sementes de soja é fundamental para o fornecimento de nitrogênio para a planta.

A bactéria Bradyrhizobium japonicum ou Bradyrhizobium elkanii, são inoculadas no momento do tratamento de sementes ou no sulco de plantio no momento da semeadura.

Estas bactérias infectam as raízes das plantas formando nódulos, são capazes de captar o N atmosférico e fornecer todo o nitrogênio necessário para a planta de soja.

Esse processo é denominado Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN),e estas bactérias popularmente são conhecidas como rizóbios ou bradirrizóbios.

Outra inoculação realizada na agricultura, porém mais recente, é a inoculação de do gênero de bactérias promotoras de crescimento de plantas, denominadas Azospirillum.

Na cultura do milho, trigo, cana de açúcar, o Azospirillum brasilense vem sendo empregado no tratamento de sementes ou via foliar.

Esta bactéria associada a gramíneas, como milho, tem os mesmos efeitos da bactéria utilizada na cultura da soja, entretanto não há formação de nódulos.

Além da FBN, ocorre a síntese de hormônios, estimula o crescimento de raízes e da planta, maior acúmulo de nutrientes, entre outros processos benéficos.

Mas, ao contrário da cultura da soja, que não necessita complementação de nitrogênio mineral, no milho já há essa necessidade.

Desse modo, realizar a inoculação no milho, por mais que necessite utilizar adubação mineral, reduz a quantidade a ser utilizada.

E isso gera economia e facilidade para o produtor, pois a inoculação é uma técnica mais barata que o adubo mineral.

A- Raízes de soja com a presença de nódulos e B- plantas de milho sem inoculação (controle) e com inoculação (inoculado)
Fonte: A – Embrapa e B – Embrapa

Quais microrganismos podem ter os inoculantes?

Como você viu há dois tipos de microrganismos que podem ser utilizados na inoculação.

Na agricultura o principal microrganismo utilizado são as bactérias, que fornecem vários benefícios como citados acima.

Além disso, há estudos que mostram que a junção de bactérias dos gêneros Bradyrhizobium e Azospirillum em soja ou feijão, aumentam ainda mais os ganhos de rendimento.

Esta técnica é denominada co-inoculação, combina as bactérias que fixam nitrogênio atmosférico com as bactérias promotoras do crescimento da planta.

Veja abaixo o aumento de rendimentos com uso de bactérias como inoculantes.

Produtividade em kg/ha de soja e milho com e sem inoculação
Fonte: Soja + Bradyrhizobium –Embrapa; Soja + Bradyrhizobium e AzospirillumEmbrapa;
Milho + AzospirillumCavallet e colaboradores

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Além destes, outros gêneros de bactérias também são utilizados na agricultura, porém em menor escala, como Bacillus e Pseudomonas.

Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) também são utilizados na agricultura como inoculantes.

A simbiose realizada entre os fungos e as raízes das plantas é denominada de micorriza.

A inoculação com fungos é bastante estudada e realizada em culturas que são implantadas por meio de mudas, como café e acerola.

Mas também têm sido utilizadas via semente, como em forrageiras, soja, milho, feijão.

Os gêneros utilizados na agricultura são Rhizoglomus, Funneliformis, Clroideoglomus, Glomus, Scutellospora, Gigaspora e Paraglomus.

Os principais fungos utilizados são Rhizoglomus clarus, R. irregulares, R. intraradices, Gigaspora margarita, Glomus manihotis e G. clarum.

Estes fungos associados às raízes das plantas formam hifas que são responsáveis por explorar com maior eficiência os nutrientes e água do solo.

Com maior absorção de nutrientes, o desenvolvimento das raízes é superior, aumentando o volume de raízes e parte da área.

Estes fungos também conferem à planta maior tolerância ao estresse abiótico, pois a planta tem maior nutrição, e consequentemente todos os benefícios refletem em maior produtividade.

Na cultura da soja, o estudo mostra que a massa de grãos foi 20% superior à inoculação de Bradyrhizobium + FMA em comparação com uso somente de Bradyrhizobium.

Plantas de sorgo inoculadas com Glomus clarum em relação a plantas controle não inoculadas, aos 60 dias após o plantio.
Fonte: Embrapa

Tipos de inoculantes e como utilizá-los

Os inoculantes utilizados na agricultura são principalmente de dois tipos: líquidos ou turfosos.

Os líquidos podem ser aplicados no tratamento de sementes, via solo no momento da semeadura e via foliar, já os turfosos são aplicados somente via semente no tratamento.

As bactérias do gênero Bradyrhizobium podem ser encontradas nos tipos de inoculantes líquidos e turfosos, mas do gênero Azospirillum apenas líquido.

Para aplicar os inoculantes líquidos via semente basta aplicar o produto e homogeneizar bem as sementes.

Deixe as sementes secarem na sombra por 20 a 30 minutos, realizando a semeadura posteriormente.

Atenção, a dose não pode ser inferior a 100 ml de inoculante líquido para 50 kg de sementes.

A aplicação dos inoculantes líquidos no sulco de semeadura deve ser realizada com dosagem de no mínimo 2,5 vezes a dose do inoculante via semente.

Além disso, o inoculante deve ser diluído em água, e como vantagem a aplicação via sulco na semeadura evita a toxicidade de fungicidas e inseticidas utilizados no tratamento de sementes.

Para aplicar o inoculante turfoso, é necessário utilizar solução açucarada ou substância adesiva para melhorar a adesão do inoculante nas sementes.

É recomendado preparar uma pasta onde a 30 g de açúcar em 300 ml de água, representa quantidade suficiente para inocular 50 kg de sementes.

Aplicar esta pasta nas sementes, homogeneizar bem e deixar secar na sombra antes de utilizar.

A dosagem depende da recomendação do fabricante, o importante é que os inoculantes fornecem 1.200.000 bactérias para cada semente, em áreas onde já se cultiva soja.

Em áreas onde não há cultivo desta oleaginosa, o solo tem baixa concentração destas bactérias, sendo recomendado o dobro da dose, ou seja, 2.400.000 bactérias por semente.

Para te auxiliar veja os cálculos abaixo para aplicação do inoculante.

Fonte: Embrapa

Cuidados necessários com os inoculantes

Os inoculantes contém seres vivos, assim seu manejo requer alguns cuidados para que você possa ter a quantidade ideal de microrganismos.

Abaixo são listados os principais cuidados que se deve ter antes e durante a aplicação destes produtos.

  • Sempre verifique a data de validade do produto;
  • Não transportar e armazenar o inoculante em locais quentes, tem que ser fresco e arejado;
  • Se realizar a aplicação do inoculante junto ao tratamento de sementes, fazer a aplicação do inoculante depois do fungicida, inseticida, micronutrientes ou tratamento realizado;
  • Faça o cálculo da dosagem pela recomendação do fabricante;
  • Ficar atento a homogeneização do inoculante nas sementes;
  • Semear logo após o tratamento ou no máximo 24 horas após, se não for semeado até esse período realizar novamente a inoculação;
  • Ficar atento na temperatura no momento da semeadura e na caixa de sementes, temperaturas elevadas causam a morte dos microrganismos presentes no inoculante;
  • Se as condições forem desfavoráveis, com alta temperatura e déficit hídrico, aumentar a dose do inoculante, mas a recomendação é sempre fazer nas condições de temperaturas abaixo de 30°C e solo com umidade.
  • O uso de micronutrientes molibdênio e cobalto são importantes para a FBN, podendo ser utilizados no tratamento de semente ou, de preferência, aplicados via foliar até 30 dias após a emergência das plântulas.

Conclusão

O uso de inoculantes na agricultura é essencial para a produtividade da cultura da soja.

Existem mais de um tipo de bactéria e fungos que podem ser utilizados como inoculantes.

Há uma economia no custo de produção, principalmente das culturas de soja e milho.

Fique atento nas dosagens e manejo dos inoculantes para que você consiga ter todos os benefícios que esta tecnologia pode te favorecer.

Espero que as informações presentes neste artigo tenham sido úteis para você. Quer saber mais sobre adubação e os principais nutrientes requeridos pelas plantas? Clique aqui!


Publicado por:
Engenheira Agrônoma pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP),mestre em Sistemas de Produção pela pela mesma instituição. Doutora em Fitotecnia pela Universidade de São Paulo (ESALQ/USP).
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