Perdas na colheita de soja: principais causas e como evitar
A colheita é uma das etapas mais importantes da produção agrícola, pois é nesse momento que todo o trabalho realizado se transforma em resultado. No entanto, falhas no processo podem gerar perdas na colheita de soja, impactando diretamente a rentabilidade do produtor.
Nesse sentido, entender as causas e saber como evitá-las é fundamental para preservar a produtividade e garantir melhores resultados na safra.
Neste artigo explicamos como identificar, calcular e evitar as perdas na colheita de soja. Então, se você tem dúvidas sobre o assunto, continue a leitura.
Perdas na colheita de soja
A perda na colheita de soja acontece quando o grão não é colhido pela máquina e permanece no solo. Entre as principais causas estão:
- Regulagem inadequada da colhedora (principalmente a plataforma de corte);
- Alta velocidade de operação;
- Umidade incorreta dos grãos;
- Acamamento das plantas;
- Condições climáticas adversas como chuvas ou ventos fortes.
Como identificar perdas na colheita da soja?
A princípio, para identificar e calcular as perdas na colheita da soja com precisão, o método mais eficiente e utilizado é o da amostragem por área. O objetivo é descobrir quantos grãos ficaram no chão após a passagem da colhedora.
Confira um passo a passo para realizar essa avaliação:
1. Preparação da área de controle
Utilize uma moldura (geralmente feita de ripas ou corda) que delimite uma área conhecida. O padrão comum é uma moldura de 2 metros quadrados, com largura igual à da plataforma de corte da máquina.
2. Coleta dos grãos
Após a passagem da colhedora, posicione a moldura no solo e colete todos os grãos que encontrar dentro dela. É importante diferenciar a origem da perda:
Perda na plataforma: grãos e vagens que caíram antes de entrar na máquina.
Perda nos mecanismos internos: grãos que saíram pelo saca-palhas ou peneiras (geralmente encontrados sobre a palha espalhada).
3. Cálculo do volume de perda
A regra prática para a soja é que 60 grãos por metro quadrado equivalem a aproximadamente 1 saco de 60 kg por hectare.
Como o gabarito sugerido tem 2 m², a conta fica:
- Conte os grãos no gabarito e divida por 2;
- Se o resultado for próximo de 60, você está perdendo 1 saca/ha.
Qual a perda aceitável na colheita de soja?
O índice de perda considerado aceitável na colheita mecanizada de soja é de até 1 saca de 60 kg por hectare (o que equivale a 60 kg/ha).
Na prática, valores acima dessa marca indicam que a operação precisa de ajustes imediatos na velocidade da colhedora ou na regulagem dos mecanismos internos.
Em geral, manter a perda abaixo de 1 saca/ha é um desafio técnico que impacta diretamente a rentabilidade. Em áreas de alta produtividade, perdas de 2 ou 3 sacas podem parecer visualmente pequenas no solo, mas representam uma redução significativa na margem de lucro ao final da safra.
Como calcular a perdas na colheita da soja?
Para calcular a perda na colheita da soja de forma técnica e precisa, o método mais confiável é a volumetria por amostragem. Esse cálculo permite identificar se a máquina está jogando dinheiro fora e onde o ajuste deve ser feito.
Confira a seguir:
1. Preparação da área (gabarito)
Em primeiro lugar, utilize uma armação de madeira ou uma mangueira para delimitar uma área de 2 m². Sendo que, a largura do gabarito deve ser igual à largura da plataforma de corte da colheitadeira.
Já o comprimento do gabarito deve ser ajustado para que a área total (Largura × Comprimento) resulte em 2 m².
2. Coleta dos grãos
Logo após a passagem da máquina, coloque o gabarito sobre o rastro da colheitadeira (incluindo a palha espalhada) e então:
- Recolha todos os grãos e vagens que estiverem dentro dessa moldura;
- Debulhe as vagens encontradas para extrair os grãos;
- Limpe a amostra, retirando terra e restos de cultura.
3. O cálculo da “Regra dos 60”
A soja possui uma relação direta entre o número de grãos por metro quadrado e a perda em peso. Isso significa que, em média, 60 grãos por m² equivalem a uma perda de 1 saca (60 kg) por hectare.
Sendo assim, como você coletou em uma área de 2 m², a conta é simples:
- Conte o total de grãos coletados no gabarito;
- Divida esse número por 2 (para obter a média por 1 m²);
- Divida o resultado por 60.
Exemplo prático:
Se você encontrou 180 grãos no seu gabarito de 2 m²:
- 180 / 2 = 90 grãos por m².
- 90 / 60 = 1,5.
- Sua perda é de 1,5 sacas por hectare.
4. Uso do copo medidor (alternativa precisa)
A Embrapa desenvolveu um Copo Medidor de Perdas na Colheita de Soja. Ele elimina a necessidade de contar grão por grão:
- Coloque todos os grãos recolhidos nos 2 m² dentro do copo.
- A leitura na escala do copo já indica diretamente o volume de perda em sacas por hectare.
5. Análise dos resultados
Por fim, analise os resultados obtidos:
- Até 1 sc/ha: perda considerada aceitável pela Embrapa.
- Acima de 1 sc/ha: indica necessidade imediata de revisão na velocidade da colheitadeira, altura da plataforma ou regulagem do sistema de trilha e limpeza.
Como evitar perdas na colheita da soja?
De modo geral, para evitar perdas na colheita da soja, a estratégia deve ser dividida entre o preparo da lavoura, a regulagem da máquina e o monitoramento em tempo real.
Nesse sentido, é importante considerar que o sucesso da operação depende de ajustes constantes. Portanto, fique atento aos seguintes fatores:
Planejamento e momento de colheita
O atraso na entrada das máquinas é uma das maiores causas de perda por debulha natural e tombamento de plantas.
Umidade ideal: o intervalo de ouro é entre 13% e 15%. Isso porque abaixo de 12%, a soja fica extremamente suscetível a danos mecânicos e quebra.
Velocidade de deslocamento: trabalhe entre 4 e 6 km/h. Afinal, velocidades excessivas impedem que a barra de corte acompanhe as irregularidades do solo e aumentam as perdas na plataforma.
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Ajustes na plataforma de corte
Cerca de 80% das perdas em uma colhedora de soja ocorrem na plataforma. Por isso, é fundamental realizar ajustes na altura da barra e no molinete.
Altura da barra: mantenha a barra de corte o mais rente possível ao solo para colher as vagens do “baixeiro”.
Molinete: a velocidade do molinete deve ser apenas levemente superior à velocidade da máquina (cerca de 15% a 25% mais rápida). Se o molinete “bater” demais na soja, ele causará a abertura precoce das vagens antes que elas entrem na máquina.
Posicionamento do molinete: O eixo do molinete deve ficar levemente à frente da barra de corte para garantir que as plantas sejam conduzidas de forma suave.
Regulagem dos sistemas internos
Se você encontrar grãos inteiros saindo pela parte traseira da máquina, o problema está no processamento interno:
Cilindro e Côncavo: a abertura do côncavo e a rotação do cilindro devem ser ajustadas conforme a umidade. Grãos quebrados indicam rotação muito alta ou abertura muito estreita. Grãos saindo presos à vagem indicam necessidade de maior rotação.
Velocidade do ventilador: ajuste o vento para que as impurezas leves sejam sopradas, mas os grãos de soja permaneçam nas peneiras.
Monitoramento contínuo
Não confie apenas nos sensores da cabine. É fundamental descer da máquina pelo menos três vezes ao dia para realizar o método da amostragem (contagem de grãos no chão).
Contudo, é importante lembrar que as condições mudam: a soja colhida às 10h da manhã (com orvalho) exige uma regulagem diferente da soja colhida às 15h (com sol forte e baixa umidade).
O que devo fazer depois da colheita para evitar perdas na produção?
Após a colheita, o foco muda da operação de campo para a preservação da integridade do grão. Confira abaixo algumas ações fundamentais para garantir que a produção colhida chegue ao destino com o máximo valor de mercado:
Limpeza e pré-limpeza
O grão que sai do campo traz consigo “impurezas” (restos de vagens, caules, terra e sementes de plantas daninhas). Essas impurezas retêm mais umidade que o grão de soja e criam “pontos quentes” dentro do silo, onde fungos e insetos se proliferam.
Sendo assim, uma ação essencial é passar a produção por máquinas de pré-limpeza para reduzir o teor de impurezas a menos de 1%.
Secagem técnica e controlada
A soja deve ser armazenada com umidade em torno de 13%. Se colhida com umidade superior (comum para evitar perdas por debulha no campo),ela precisa passar pelo secador.
Nesse sentido, é importante se atentar para a temperatura da massa de grãos no secador que não deve ultrapassar 45°C para soja comercial (e menos para sementes). O calor excessivo causa fissuras no grão, reduzindo o rendimento de óleo e facilitando o ataque de pragas.
Manejo Integrado de Pragas de Grãos
Diferente do campo, no armazém as pragas são combatidas com higienização e expurgo.
Limpeza da unidade: antes de receber a nova safra, limpe fossos, elevadores e túneis para eliminar focos de infestação residual.
Expurgo: se houver presença de insetos (como o caruncho),realize o expurgo.
Monitoramento da termometria e aeração
Dentro do silo, o calor é o maior inimigo.
Leitura diária: utilize cabos de termometria para monitorar a temperatura da massa de grãos. Qualquer aumento repentino indica atividade de fungos ou insetos.
Aeração estratégica: ligue os ventiladores nos horários de menor umidade relativa do ar e temperatura mais baixa (geralmente à noite ou madrugada) para resfriar a massa e manter a uniformidade da umidade.
Conclusão
As perdas na colheita de soja podem comprometer uma parte significativa da produção se não forem monitoradas e controladas adequadamente. Por isso, acompanhar de perto o processo de colheita e realizar ajustes sempre que necessário é essencial para reduzir desperdícios e preservar a produtividade.
Contudo, com boas práticas de manejo e atenção aos detalhes, o produtor consegue minimizar as perdas e garantir maior eficiência e rentabilidade na lavoura.
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